Prova chegando, prazo apertado, trabalho acumulado, contas para pagar. Às vezes a cabeça fica tão ocupada que estudar parece impossível: você lê a mesma página três vezes e nada fica. Não é falta de capacidade. A ciência explica por que isso acontece e o que pode ajudar.
A ansiedade no Brasil em números
Segundo o Covitel 2023, inquérito nacional conduzido pela Universidade Federal de Pelotas e pela Vital Strategies, 26,8% dos brasileiros adultos já receberam diagnóstico médico de ansiedade. Entre os jovens de 18 a 24 anos, o índice chega a 31,6%.
Os efeitos aparecem na rotina. Em 2025, o INSS concedeu mais de 546 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais, o maior número da década, segundo o Ministério da Previdência Social. Os transtornos de ansiedade lideraram, com mais de 166 mil licenças.
A concentração também dá sinais de desgaste. No Panorama da Saúde Mental 2026, do Instituto Cactus com a Atlas Intel, o foco, dimensão que mede a capacidade de se concentrar, tomar decisões e realizar as atividades do dia a dia, foi a mais baixa entre as avaliadas e vem caindo desde 2024.
Por que a ansiedade atrapalha a concentração
Para entender, vale conhecer a memória de trabalho: a parte da mente que segura e manipula informações por alguns instantes, como quando você acompanha um raciocínio ou resolve um cálculo. Ela tem capacidade limitada.
Quando estamos ansiosos, os pensamentos de preocupação disputam esse mesmo espaço. Uma meta-análise publicada em 2016 na revista Psychological Bulletin reuniu 177 amostras, com mais de 22 mil pessoas, e encontrou uma relação consistente: quanto maior a ansiedade, pior o desempenho em tarefas de memória de trabalho. É por isso que, em dias de muita preocupação, o conteúdo parece não entrar.
O que a ciência mostra que ajuda
A boa notícia é que a ansiedade nos estudos pode ser trabalhada. Uma meta-análise publicada em 2019 reuniu 44 estudos controlados, com mais de 2 mil universitários, e concluiu que intervenções voltadas à ansiedade em provas reduziram a ansiedade e melhoraram o desempenho acadêmico.
Algumas estratégias são simples. Em um estudo publicado em 2011 na revista Science, pesquisadores da Universidade de Chicago pediram que estudantes escrevessem por 10 minutos sobre suas preocupações antes de uma prova. O exercício melhorou as notas, especialmente entre quem costumava ficar mais ansioso. Segundo os autores, colocar a preocupação no papel ajuda a reavaliá-la e diminui o peso que ela exerce durante a tarefa.
Como lidar com a ansiedade nos estudos
- Escreva antes de começar. Alguns minutos anotando o que está preocupando você pode ajudar a liberar a cabeça para estudar.
- Divida o conteúdo. Metas menores parecem mais possíveis e reduzem a sensação de sobrecarga.
- Faça pausas e cuide do sono. Cansaço e preocupação costumam andar juntos.
- Dose as notícias e as telas. Estar informado é importante. Ficar exposto o tempo todo a conteúdos angustiantes, não.
- Peça apoio. Conversar com pessoas de confiança ajuda. Se a ansiedade for intensa ou persistente, procure um profissional de saúde mental. Em momentos de crise, o CVV atende gratuitamente pelo telefone 188, a qualquer hora.
Sentir ansiedade não é sinal de incapacidade
Preocupar-se diante de desafios é humano. Entender como a ansiedade age sobre a mente ajuda a deixar de enxergá-la como falta de capacidade e a encontrar estratégias para seguir em frente, no seu ritmo.
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